quinta-feira, 15 de novembro de 2007 - 18:05
Quanta negligência!
Amigas, eu sempre achei que a mulher tem direito de ter o parto do jeito que ela quiser ter. Se ela tem condições de ter um filho de parto normal, assim o faça. A recuperação é mais rápida, após o nascimento da criança geralmente não se sente dor e é natural. Mas, digo e repito, SÓ SE A MULHER TIVER CONDIÇÕES PARA ISSO, caso contrário existe a cesareana. Lógico, não estou falando aqui com a experiência de quem teve os filhos por vias naturais, porque não os tive, recorri a cesareana, porque não tive condições em nenhuma das duas vezes de ter filho de parto normal, mas penso que à partir do momento em que um médico decide que uma pessoa deve à todo custo ter um filho de parto normal, mesmo diante de tanta dor, de tanto sofrimento e de tanta espera, já acho que o parto passa a ser "anormal". É bom parto natural pra quem sofre as dores, dilata em um intervalo relativamente curto e tem seu filho, aí sim, foi algo saudável, mas você ficar ali morrendo de dores, perdendo sangue quase chegando a uma hemorragia, a ponto de causar sofrimento fetal, tem algo salutar nisso? Muitos hospitais públicos e particulares também se gabam da aquisição de terem ganho o título "Hospital amigo da criança", em razão do sucesso do programa de amamentação. E cadê o "Hospital amigo da mãe"? Acham bonito dizer que quase 90% dos partos feitos na instituição são normais, enquanto que a cesareana é realizada somente em últimíssimo caso, isso no que diz respeito aos hospitais públicos, porque com relação aos privados a coisa muda de figura. Se a mulher tem condição de ter seu parto natural, ótimo, sou à favor, mas se não tem, por favor, classe médica, não vamos levá-la a chegar no seu extremo e cortá-la como se corta "couro de boi" para forçar uma passagem para a criança sair, quando muitas vezes a mãe não tem dilatação e nem a mínima condição de colocar um filho no mundo dessa forma.
Agora, por que estou falando tudo isso? Por que a minha mãe tem uma amiga, a qual levou sua neta para ganhar nenê no final de semana, em uma maternidade pública daqui, a maior e de grande referência na cidade. Pois bem, a neta dela estava sentindo dores fortes e tendo sangramento. Ao chegar no hospital ela foi examinada e o médico disse que ela voltasse pra casa, que o bebê ainda não estava na hora de nascer, além do fato de não ter leito disponível para interná-la. Detalhe: Meu pai trabalha na parte administrativa dessa maternidade, e sendo assim, a nossa amiga, liga para meu pai a fim de que ele conseguisse um leito para a neta. Meu pai, que é uma pessoa super prestativa, assim o fez, conseguiu o leito. Mas, o médico de plantão insistiu para que a garota fosse para casa, porque o bebê não ia nascer logo. Passados dois dias, ela voltou à maternidade, e ao ser examinada obteve a mesma resposta, mandaram-na de volta pra casa, pois ela não tinha dilatação, contudo continuava tendo dores e sangramentos. Meu pai questionou o médico de plantão se não seria conveniente uma cesárea já que a menina vinha sofrendo há uns 4 dias. Recebeu uma resposta negativa. O médico afirmou categoricamente que ela teria a filha de parto natural. E qual foi o resultado de tudo isso? Hoje, a mãe passou muito mal e foi às pressas para o hospital, ao chegar lá a criança já estava em sofrimento, nasceu roxinha e com um edema enorme na cabeça, de tanto que forçou o assoalho pélvico da mãe na tentativa de sair. Conclusão: a mãe está bem (fisicamente), mas a criança está na UTI e corre sérios riscos de ficar com sequelas neurológicas.
Estou revoltada. Isso não pode ficar na impunidade. Já pedi tanto à Deus para manter a saúde dessa criança, para que esse parto não lhe tenha causado nenhuma sequela...É isso, há quanto tempo nosso Sistema Único de Saúde se transformou em Sistema Único de Selvageria, não é mesmo?
Pessoal, quero deixar bem claro, que não estou me referindo à classe médica em geral, mas especificamente a determinados médicos desumanizados, despreparados e todos os "des" que existem no mundo. Desculpem o desabafo!
Beijos!
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